Resenha do álbum
Início dos anos 1970. Época de ditadura militar no Brasil, os chamados “anos de chumbo”. Naquele tempo, fazia sucesso em São Paulo a extinta Rádio Difusora AM (960 khz), que pertencia aos Diários Associados, e cujo principal locutor era Dárcio Arruda. A estrutura de programação, voltada para a juventude daquele tempo, era chamada de “Jet music” (música a jato), apresentando em primeira mão os últimos sucessos internacionais daquele tempo, ocupando mais da metade da programação! No Rio de Janeiro, quem fazia sucesso com esse estilo de programação era Big Boy, falecido em 1977, na antiga Rádio Mundial, também AM. Como se via, a música brasileira naquele tempo tinha pouco espaço na mídia, acossada principalmente pela censura do regime militar, e inclusive nossos melhores compositores tiveram até de se auto-exilar no exterior. Este LP da misteriosa Royal Band (que inclusive não consta da discografia dos Carbonos que tem no site oficial da Jovem Guarda) é um espelho dessa época, em que os sucessos “gringos” davam as cartas. Era o tipo do “álbum dançante”, bem apropriado para os bailes da moçada do início dos anos 1970, e até mesmo para festas de formatura, aniversário ou casamento. Aqui, temos alguns dos maiores hits internacionais, desses que tocavam sem parar na Difusora paulistana e na Mundial carioca. Como, por exemplo, “Rain and tears” (do grupo Aphrodites Child, cujo vocalista era o grego Demis Roussos), “Don’t let it die” (Hurricane Smith), “Butterfly” (Daniel Gerard), “The end” (Earl Grant, que por sinal morreria nessa mesma época em acidente automobilístico) e “Rose garden”, que, aliás, tem uma famosa versão brasileira gravada pelos Fevers e também pela saudosa Celly Campello (‘Você bem sabe/ que eu não lhe prometi um mar de rosas “…). Curiosamente, a faixa de abertura, “You notice me”, era então relativo sucesso com um brasileiro que cantava em inglês, o hoje falecido Terry Winter. Ele também era compositor, e fez músicas da Jovem Guarda com o pseudônimo de Tommy Standen e sertanejas como Chico Valente! Enfim, um LP que documenta o início dos anos 1970, e toda obra, aliás, é um espelho de sua época. Bem, você que viveu com intensidade esses “bons tempos”, certamente vai ter vontade de ouvir e dançar. Bom divertimento
Samuel M. Filho





