Texto Contracapa do LP
- Sebastien Érard (Strasburgo, 1752 – Paris. 1983) foi, indubitavelmente, o grande aperfeiçoador da harpa, na história das artes. Suas experiências com esse instrumento (e com o alaúde e com o piano) levaram o Rei Luís XIV (em 1785) a ceder-lhe a própria patente francesa dos “instrumentos de cordas beliscadas”, fato que contribuiu enormemente para o desenvolvimento de uma série de instrumentos musicais daquela época, sob o talento ilimitado de Érard. Evidentemente, em se tratando de u ma harpa fabricada “pelas mãos de Érard”, o assunto torna-se mais importante e é o que ocorreu com Francisco Minervino, artista deste LP e estreante nos discos através da RGE.
- Tendo nascido em Moji-Guaçu, no estado de São Paulo, desde a mais tenra infância tornou-se um apaixonado pela harpa, colecionando todos os discos que surgiam com esse instrumento. Sua dedicação às coisas da harpa chegou ao ponto de Francisco Minervino sonhar (e tentar) importar um desses instrumentos, da França. O alto custo, entretanto, demoveu-o do intento e Minervino, resolveu procurar a “harpa dos seus sonhos” em casas de antigüidades. Para alegria dele, não somente “a harpa sonhada, mas uma das harpas mais raras e importantes de todas as épocas: uma “Érard” fabricada em 1812! Sim. Uma harpa feita por Sebastien Érard, o famoso personagem que mereceu os maiores favores do rei Luís XIV e criou “harpa de dupla ação”. De posse do cobiçado instrumento, Francisco Minervino ingressou num intensivo curso de harpa e após concluí-lo, iniciou a fase dos concertos públicos, divulgando motivos ligeiros e declaradamente populares.
– A RGE foi “descobri-lo em Moji Mirim, por ocasião de um concerto no Cine São José daquela cidade do interior paulista. Trazido para São Paulo, com apoio total! de nossa direção artística, Minervino juntou-se ao se amigo e acompanhante, o violonista Aurélio Facundini, com ele “bolando” o conteúdo deste LP. Após dias e mais dias de cuidadosos ensaios. E o resultado aqui está: uma série enorme de ritmos e melodias dos mais diversos países, completando uma coletânea diferente de tudo quanto foi gravado até aqui com uma harpa.
– Minervino começa com o “O sole mio”, do italiano Di Capua, num ritmo envolvente e “scherzoso”. A valsa-rancheira de José Alfredo Gimenez, “Ella”, dá seqüência à audição. Nela surgindo ainda colaboração imprescindível de um acordeão. A rumba “Paran pan pan” de Sergio de Karlo (fartamente divulgada há uns 15 anos atrás) retorna aos discos nacionais através de uma inesquecível interpretação de Minervino, que aqui conta com a colaboração da Facundini, ao violão, e de um oportuno acordeão nas passagens rítmicas. “Paisagem do Paraguai”, a faixa seguinte, é uma criação da dupla Minervino-Facundini, e destaca-se pela lírica imagem evocada. O Tango “Adios muchachos”, da dupla Alberto Sanders – Cesar Vedani, tornou-se uma página obrigatória, quando se trata de homenagear a música argentina, e desde a sua divulgação por Carlos Gardel transformou-se num dos motivos melódicos mais famoso do mundo todo. Minervino faz-se acompanhar, ainda uma vez, pelo imprescindível acordeão, logrando uma das mais perfeitas interpretações do belo tango já conseguidas até hoje. A faixa que se segue é uma nova versão de “Pajaro campana”, melodia de sentido folclórico do Paraguai e que vem sendo arranjada pelos mais famosos músicos guaranis sobe os aspectos mais intrincados. O “Pajaro Campana” da música é um pássaro existente do Paraguai e que se tornou famoso pelas duas notas repetidas que emite quando cante, quando canta, parecendo um sino. Naturalmente, a idéia central das duas notas iguais fez nascer essa música internacionalmente famosa, que é alvo de transcrições “de sentidos técnico” muito apuradas. Geralmente, presta-se mais à “harpa paraguai”, mas Minervino consegue provar que a “harpa européia” ta,bem reproduz mágicos efeitos, interpretando a polca. O espanhol Sabastian Iradier (Sauciego, 1809 – Vitori, 1865) compôs “La Paloma” nos primeiros dias de sua mocidade, mal imaginando que ela se tornaria uma das páginas populares mais aplaudidas de todos os tempos. “É uma “habanera” de ritmos dolentes e até tristes, que – segundos os musicólogos – serviu de inspiração para Georges Bizet, quando o famoso autor francês compôs a “Habanera” da ópera ‘Carmen”. Nesta faixa, Minervino conta com a colaboração de uma “tumbadora” (instrumento típico da “tumba” dominicana) e de um bongô, na marcação do ritmo. Logo a seguir, entraremos em contacto com a velha marchinha de Ary Barroso, “Upa! Upa!, que Dircinha Baptista divulgou no carnaval de 1960. Foi acrescentado um côro (trio vocal) ao grupo que interpreta a página, com isto sendo possível recordar até mesmo a ingênua letra da marchinha. “Lua Bonita”, criação de Zé do Norte para o filme “O Cangaceiro, é a faixa seguinte. Nela, incluí-se um “afochê”, que se encarrega de criar o “ambiente típico” de toada, que a melodia exige, O grande sucesso da dupla Oswaldo de Souza- Haroldo José. “Tango Triste”, continua a audição e novamente Minervino conta, nesta faixa, com a colaboração de uma acordeão e do violão de Aurélio Facundini. As duas últimas faixas, ‘Pretend” e “Chalana”, encerraram satisfatoriamente o explendido recital de Francisco Minervino, cada qual com suas características próprias. “Pretend”, surgiu em 1952 e pertence a um trio de bons autores norte-americanos: Lew Douglas-Cliff Parman-Frank Laverc. “=Chalana, foi gravada na mesma época , 1952, transformando-se numa das mais belas criações da dupla Mário Zan-Arlindo Pinto, dentro do gênero “guarânia”
Álbum: Harpa Festival
Ano/Gravadora:(1961) RGE XRLP 5129
Artista(s): Minervino
Dados adicionais: • Solo de harpa – Acompanhamento de Conjunto Ritmico e Instrumental – Violão: Facundini
Obs: Há uma outra edição do ano de 1975, identificado como “HARPA INTERNACIONAL”- postado no blogger “SAUDADES E RARIDADES”
Acervo: Sérgio
Editado por: Sérgio
Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Ótimo
Fonogramas Lado A
A01. O Sole Mio – (Eduardo Di Capua / Giovanni Capurro)
A02. Ella – (José Alfredo Jiménez)
A03. Pa-ran-pan-pan – (Sergio de Karlo)
A04. Paisagem do Paraguai – (Minervino / Facundini)
A05. Adios Muchachos – (César Vedani / Julio César Sanders)
A06. Pajara Campana – (Tradicional)
Fonogramas Lado B
B01. La Paloma – (Sebastian Yradier)
B02. Upa Upa (Meu Trolinho) – (Ary Barroso)
B03. Lua Bonita – (Zé do Norte / Zé Martins)
B04. Tango Triste – (Osvaldo de Souza / Haroldo José)
B05. Pretend – (Lew Douglas / Cliff Parman / Frank Lavere)
B06. Chalana – (Mário Zan / Arlindo Pinto)
Fonte de pesquisa: Instituto Memória Musical Brasileira
Fonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo Lado A e Selo Lado B do Long Playing
Crédito: Sérgio





