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Mauricy Moura – Coquetel da Vida (1963) Resenha do Álbum Não sei se é telepatia, mas eu também estava querendo, como muitos, creio eu, a postagem deste LP do “Cicica”, como era chamado afetivamente o grande Mauricy Moura. E ele aqui está. O nosso “Cicica” era caiçara, nascido na cidade de São Vicente, litoral paulista, em 10 de janeiro de 1926, e começou a carreira artística ainda criança, com o apoio da mãe. Participou do “Programa de Dona Dindinha Sinhá”, na Rádio Atlântica de Santos, e aos dez anos de idade formou o Conjunto Calunga, do qual era vocalista e tinha também a participação do irmão Maurício, dois anos mais velho que Mauricy. Os Calungas tiveram até de pedir permissão do sempre zeloso Juizado de Menores para poderem se apresentar artisticamente, no antigo Cassino Ilha Porchat, na Rádio Piratininga e em shows por todo esse Brasilzão. Em 1950, a convite de Sílvio Caldas (de quem chegou a ser considerado sucessor), “Cicica” transferiu-se para São Paulo, integrando-se ao cast da extinta Rádio Excelsior, que também tinha Francisco Egydio, Roberto Luna, Sólon Salles, Cauby Peixoto e Homero Marques. Mas quando se transferiu para a Rádio Record (então “a maior”), Mauricy ganhou um programa só dele, até ganhando o Troféu Roquette Pinto de revelação de 1950. Dois anos mais tarde, grava seu primeiro 78 RPM, na Sinter, interpretando os sambas-canções “Maria da Piedade” e “Não digas nada”. Teve também passagens pela Continental, Polydor, Chantecler e RGE. Em 1956, “Cicica” fez uma temporada na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte (MG), que ainda existe. Sua discografia, escassa se comparada à sua voz e ao seu talento, compreende quinze discos em 78 RPM com 28 músicas, dois LPs e um compacto simples. É justamente o primeiro LP de Mauricy Moura, “Coquetel da vida”, que o Baú de Long Playing ora nos oferece. Aqui ele regrava “Chão de estrelas” (certamente para homenagear Sílvio Caldas, seu grande incentivador), duas composições do mestre Ataulfo Alves (“Meus tempos de criança” e “Infidelidade”), “Tarde de maio” (outro hit de Sílvio Caldas), “Quem há de dizer” (de Lupicínio Rodrigues, um mestre da dor-de-cotovelo), “Irmã da saudade” (hit de Leila Silva em 1960) e revive “Maria da Piedade”, música de Evaldo Ruy com a qual estreou em disco onze anos antes. A faixa-título, “Coquetel da vida”, e “Irmã da saudade” têm a parceria do grande João Pacífico, mais conhecido por suas composições sertanejas, mas que também fazia músicas noutros gêneros. Tem também mais Lupicínio, com o famoso “Paciência” (subintitulado “Vou brigar com ela”), que o próprio Mauricy lançou dois anos antes em 78 RPM e seria mais tarde muito regravado (afinal tem horas em que a gente esgota nossa reserva de paciência mesmo, não é?). Quatro outras músicas então inéditas, “Amores ocultos”, “Flor de maçã”, “Canção de uma tarde de chuva” e “O segredo e a saudade”, completam este admirável coquetel do grande Mauricy Moura, oferecido em boa hora pelo Baú de Long Playing. Ele só gravaria mais um LP em 1965, pela Continental, “Roteiro noturno”, e três anos mais tarde um compacto simples pela RGE, com as músicas “Amor de trapo e farrapo” e o clássico “Volta por cima”, ambas de Paulo Vanzolini, também faixas do LP “Onze sambas e uma capoeira”, dedicado à obra de Vanzolini e produzido pelo publicitário Marcus Pereira, fundador, mais tarde, da gravadora de mesmo nome, que deixou um importantíssimo acervo cultural e artístico, imprescindível para quem pesquisa a MPB. Mauricy Moura faleceu em Santos no dia 23 de agosto de 1977, portanto bem antes daquele que iria suceder, Sílvio Caldas, mas graças a iniciativas como a do nosso Baú de Long Playing, ele estará sempre presente através de seu legado musical. Samuel M. Filho |
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| Álbum: Coquetel da Vida Ano/Gravadora: (1963) Chantecler CMG 2206 Artista(s): Mauricy Moura Dados adicionais: Orquestra Chantecler Regida por Élcio Alverez Acervo: Estante do Vinil Editado por: GENESYSTUDIO Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Ótimo |
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Fonte de pesquisa: Instituto Memória Musical Brasileira Fonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo lado A e Selo Lado B do Long Playing Créditos: Carlão/Estante do Vinil/GENESYSTUDIO |
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TEXTO CONTRACAPA DO LP




