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Edmundo Ros E Sua Orquestra – Rhytms Of The South (1958)
Resenha do Álbum
Verdadeira raridade nos é oferecida agora pelo Baú de Long Playing: trata-se de um álbum do músico, vocalista, arranjador e bandleader Edmondo Ros William (Port of Spain, Trinidad, 1910-Alicante, Espanha, 2011), que fez carreira na velha Inglaterra, onde também foi proprietário de gravadora, agência de talentos artísticos e casas noturnas, além de ter atuado durante anos na BBC. Percebe-se também que ele é um raro exemplo de longevidade, pois viveu mais de um século! E até a futura rainha Elizabeth II dançou ao som de sua banda… Edmondo era filho de uma afro-venezuelana, e o pai era descendente de escoceses. Foi quando estava matriculado em uma academia militar que ele se interessou por música, aprendendo a tocar bombardino. Em 1927, mudou-se com a família para Caracas, capital da Venezuela, onde residiu por dez anos, e atuou como músico da academia militar e da orquestra sinfônica daquele país. Em 1937, ao receber uma bolsa de estudos do governo venezuelano, transferiu-se para Londres, onde estudou harmonia, orquestração e composição na Royal Academy of Music, sendo ao mesmo tempo vocalista da banda de Don Marino Barretto, no Embassy Club. Três anos mais tarde, em 1940, formou sua própria orquestra de rumbas. Seus primeiros discos saíram em 1941 pelo selo Parlophone/EMI, o primeiro deles trazendo “Los hijos de Buda”. Em toda a carreira fez mais de OITOCENTAS gravações! E o Baú de Long Playing apresenta um álbum de Edmondo Ros de 1958, do selo Decca/London: “Rhytms of the south”, por sinal um dos primeiros LPs gravados em som estéreo, novidade na época. O álbum vendeu na ocasião um milhão de cópias, e não é para menos: o escore musical apresenta uma variada seleção de ritmos latino-americanos e hispânicos, inclusive brasileiros, com direito até mesmo à clássica valsa “Danúbio azul”, de Johann Strauss. São números apresentados em ritmos tradicionais, como o mambo (“Siboney”), o passo-doble espanhol (“Spanish gypsy dance”), a rumba (“Capullito de Aleli”, gravada inclusive por Nat King Cole e Caetano Veloso), o merengue (para o qual foi vertida a marcha “Colonel Bogey”, tema do filme “A ponte do rio Kwai”), o bolero (“Marta”), o baião (com a tradicional “Barcarola”, de Offenbach), o tango (“Caminito”), a guaracha (“Cachita”), a marcha (“La maxixe”), o samba (“Elizabeth”) e o chá-chá-chá (“Ilha de Capri”, também conhecida no Brasil como “Abre a janela, Maria, que é dia”). Edmondo Ros, após longa e vitoriosa carreira, aposentou-se em 1975, mudando-se para a cidade espanhola de Alicante, onde morreu. Sua última apresentação pública aconteceu em 8 de janeiro de 1994.
Samuel M. Filho
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