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Conjunto Garra Brasileira – Sucessos Contagiantes Em Ritmo De Samba (1974) Resenha do Álbum O início dos anos 1970, época de regime militar e censura rigorosa às artes e aos meios de comunicação, foi marcado, na MPB, pela escalada do samba. Nessa época, até programas de auditório como o de Sílvio Santos (nessa época, vejam vocês, transmitido às quintas-feiras pela Tupi e aos domingos pela Globo!) tinham quadros exclusivamente dedicados ao samba. Em época de regime político fechado, o negócio era sambar mesmo, não é? E, além do samba tradicional, havia também o samba-rock, o sambão-joia, o sambalanço… Enfim, samba pra tudo que era gosto. Nessa ocasião, como sempre acontecia, as gravadoras aproveitavam o embalo e lançavam LPs com hits de então em ritmo de samba, naquela base do popurri, executados por grupos que só existiam em estúdios, jamais tendo se apresentado em público, e uma incógnita quanto a seus músicos. Um exemplo foi o grupo Os Caretas, da Phonogram, hoje Universal, aquele da série “Samba é uma parada”, lembram? E eram álbuns ideais pra se tocar em festas, bares e salões que não podiam dispor de música ao vivo. A Som Livre, gravadora da Rede Globo de Televisão, não ficou atrás e lançou os grupos de estúdio Sambalivre (da série “Samba, suor e ouriço”) e Garra Brasileira, dos dois o primeiro a surgir, e justamente com este LP de 1974. Como diz o título, é uma seleção, em ritmo de samba, de hits nacionais que freqüentavam as paradas da época. A dupla Roberto & Erasmo Carlos vem com dois sucessos que o Tremendão gravou primeiro: “Cachaça mecânica” (com nítida influência de “Construção”, de Chico Buarque, sendo por isso erroneamente apontada por alguns disc-jóqueis da época como plágio) e a bem-humorada “O comilão”. Benito Di Paula, então em plena ascensão, entrou com “Retalhos de cetim”, o grande Paulinho da Viola com “Não leve a mal”, Luiz Ayrão com “Porta aberta”, Alberto Luís (também autor de “Balada número 7″ e “Namorados”) com essa obra-prima que é “A banda da ilusão”, então hit de Ronnie Von, o mestre Adoniran Barbosa com “Tocar na banda” (“pra ganhar o quê? Duas mariolas e um cigarro Yolanda”), os irmãos Valle com “Qual é”, Dominguinhos com “Eu só quero um xodó” (aliás, foi com essa música, na voz de Gilberto Gil, que o Brasil inteiro conheceu esse talentoso pernambucano, seguidor fidelíssimo de Luiz Gonzaga, que inclusive lhe deu de presente sua primeira sanfona), a dupla Antônio Carlos e Jocafi com “Toró de lágrimas”, e duas composições de Chico Buarque e Ruy Guerra: “Tatuagem” e “Não existe pecado ao sul do Equador”, ambas de uma peça cuja encenação foi proibida pela censura da época, “Calabar, o elogio da traição”. O eterno roqueiro número 1 do Brasil, Raul Seixas, teve incluída neste popurri sambístico a sua “Mosca na sopa”, ainda hoje cult, como, aliás, tudo (ou quase tudo) que Raul fez. Bate ponto aqui também um hit da grande sensação roqueira da época, os Secos & Molhados (“O vira”, aquele do gato preto que cruzou a estrada e passou embaixo da escada), de vida curta, pois se separaram após o lançamento do segundo álbum, sendo que seu vocalista, Ney Matogrosso, iria ser o astro da MPB que todo mundo sabe, a exemplo de Djavan, que faz uma curiosa participação especial neste álbum e então gravava músicas para as trilhas de novelas da Globo, explodindo de vez mais tarde em meados dessa década. “Camisa Dez”, de Hélio Matheus e Luiz Wagner, era então sucesso na voz de Luiz Américo , e “Eu lembrei você”, de Márcio Greyck. Enfim, toda obra de cunho artístico é um espelho da época em que foi concebida, e é o caso deste álbum. Olha o Garra Brasileira aí, gente! Chora, cavaco… Samuel M. Filho |
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| Álbum: Sucessos Contagiantes Em Ritmo De Samba Ano/Gravadora: (1974) Som Livre 403.6038 Artista(s): Conjunto Garra Brasileira Acervo: Carlão Editado por: Carlão Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Ótimo |
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| Fonte de pesquisa: Instituto Memória Musical Brasileira
Fonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo lado A e Selo Lado B do Long Playing Crédito: Carlão
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