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Amália Rodrigues – Um Amor de Amália – Gravado Ao Vivo No Canecão (1973) Resenha do Álbum “Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado”. Este gênero que alguns pesquisadores acreditam ser de origem brasileira (para sermos mais exatos, da modinha) foi, em novembro deste 2011 que termina, elevado á categoria de Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, conforme declaração aprovada no VI Comitê intergovernamental dessa entidade, realizado em Bali, na Indonésia. E temos agora, no Baú de Long-Playing, um dos muitos álbuns daquela que, com justiça, é considerada o exemplo máximo do fado: nada mais nada menos que Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, Portugal, 1920-idem, 1999). O presente disco foi gravado justamente durante uma das inúmeras temporadas de Amália no Brasil, país que sempre a recebeu com o carinho e o aplauso do público, e onde ela chegou até a ter programa de TV (seu segundo marido, o engenheiro César Seabra, era por sinal brasileiro). O palco era o Canecão, casa noturna carioca infelizmente já desaparecida. Para alegria de nossos queridos patrícios (e também dos brasileiros que apreciam o fado, por que não?), Amália desfila um repertório imperdível, com muitos clássicos do gênero, que creio que muito lusitano aqui radicado saiba de cor e salteado. Tem o “Tiro-liro-liro”, “Ai, Mouraria”, “Lisboa antiga”, “Fado do ciúme”, “Coimbra”, “Tudo isto é fado”, “Foi Deus”… O curioso é que encontramos um poema de Vinícius de Moraes, o nosso inesquecível Poetinha, musicado por Homem Cristo, “Saudades do Brasil em Portugal”. “Foi Deus” e “Nem as paredes confesso” foram gravadas até mesmo por cantores brasileiros, como Ângela Maria, Cauby Peixoto, José Ricardo e Nélson Gonçalves. Este último, inclusive, voltou às paradas de sucesso em 1969, recém-saído de um tratamento de choque para se livrar da dependência de tóxicos, justamente com “Nem as paredes confesso”. Já “Mãe preta” tem uma história curiosa: foi composta no Brasil pelos gaúchos Piratini e Caco Velho (aquele que tinha cuíca na voz) e gravada pela primeira vez em 1946 pelo Conjunto Tocantins. Já na década de 1950, outra cantora lusitana, Maria da Conceição, foi a primeira a divulgar a música em Portugal, o que levou Amália Rodrigues a também gravá-la. Entretanto, “Mãe preta” foi vetada pela censura do regime salazarista (derrubado pela Revolução dos Cravos, em 1974), e novos versos tiveram de ser escritos por David Mourão Ferreira, com o título também modificado para “Barco negro”. Com a letra original, foi revivida em 1976 na primeira versão da novela “Escrava Isaura”, produzida pela Rede Globo. Um maravilhoso documento com aquela que era, por excelência, o próprio fado. Tanto que, quando de sua morte, em 1999, o então primeiro-ministro de Portugal Antônio Gutierres decretou luto oficial de três dias, tamanha a comoção. Samuel M. Filho |
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| Álbum: Um Amor de Amália – Gravado Ao Vivo No Canecão (1973) EMI-Odeon 064 40468 – SMOFB 469 Artista(s): Amália Rodrigues Show Escrito e Dirigido por: IVON CURI Acervo: Carlão Editado por: Carlão Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Ótimo |
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Fonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo Lado A e Selo Lado B do Long Playing Crédito: Carlão |
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