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Alceu Valença – Cinco Sentidos (1981) Resenha do Álbum O Baú de Long Playing nos apresenta hoje um dos mais expressivos trabalhos de um apreciadíssimo compositor e cantador nordestino: Alceu Paiva Valença. Pernambucano de São Bento do Una, cidade nos limites do sertão com o agreste, Alceu começou a envolver-se com a música ainda na infância, através dos cantadores de feira de lá da sua terra. Sempre foi fã de Luiz Gonzaga, Marinês e Jackson do Pandeiro, e seu pai, Paulo Alves Valença, era violeiro e cantador. Mudou-se para o Recife aos dez anos de idade, ali mantendo contato com a cultura urbana, ouvindo Orlando Silva, Dalva de Oliveira e ícones internacionais da primeira geração do rock, tais como Little Richard e Ray Charles. Advogado e jornalista, tendo sido inclusive correspondente do “Jornal do Brasil”, Alceu desistiu dessas profissões e optou pela música. Em 1971, foi para o Rio de Janeiro com seu amigo e incentivador Geraldo Azevedo, e um ano mais tarde ambos gravam juntos um LP na Copacabana, estreando assim em disco. Em 1974, gravou seu primeiro álbum-solo, pela Som Livre, “Molhado de suor”, e participou do filme “A noite do espantalho”, dirigido por Sérgio Ricardo (aquele que quebrou o violão no festival da Record de 1967 lembram?). Em 1980, Alceu transferiu-se para a recém-fundada sucursal brasileira da gravadora alemã Ariola, e lançou o primeiro LP brasileiro dessa marca, “Coração bobo”, com sucesso extraordinário e definitiva consagração em todo o país. Um ano mais tarde, lançou este segundo álbum para a marca alemã (que depois afastou-se do Brasil, vendendo o cast à Polygram, hoje Universal Music), este mesmo que o Baú de Long Playing he oferece para sua apreciação: “Cinco sentidos”. Neste, como em outros, é nítida a influência da música regional de seu Nordeste, com elementos do rock e do pop (guitarra, baixo elétrico, sintetizadores). As faixas de maior destaque foram “Cabelo no pente”, um xote que relembra o tema do “pisa na fulô”, tão bem tratado por João do Valle nos anos 1950, e “Fé na perua”, que faz referência a outro grande nome da música nordestina, Ary Lobo, e a um hit seu de 1960, “Eu vou pra lua”. Ao todo, nove faixas marcantes em um trabalho marcante e explosivo do beato, romântico e multifacetado Alceu Valença, certamente uma figura singular, única, em nossa música. Sua carreira vitoriosa inclui mais de 30 álbuns, sozinho ou com a colaboração de outros colegas, caso de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, com quem participou, em 1996, de uma série de shows intitulada “O grande encontro”, que percorreu todo o Brasil e foi registrada em disco. Outros sucessos de Alceu são “Vou danado pra Catende” (com fragmentos do poema “O trem das Alagoas”, de Ascenso Ferreira), “Tropicana” (“Morena tropicana, eu quero o teu sabor”…), “Anunciação”, “Como dois animais” e “Ruge carmim” (que ele diz, nessa composição, ser a cor do pecado). Em julho de 2003, Alceu foi agraciado com o Prêmio Tim de Música Brasileira, categoria de melhor cantor regional, pelo CD “De janeiro a janeiro”. E é impossível esquecer sua participação na primeira versão do festival Rock in Rio, em 1985, com direito até a repente com resposta positiva do público presente. Seu último trabalho em disco até agora é o CD “Ciranda mourisca”, lançado em 2009 pela Biscoito Fino. Enfim, um artista arrebatador, cheio de energia e talento, que sempre merece nossos aplausos! Samuel M. Filho |
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| Álbum: Cinco Sentidos Ano/Gravadora: (1981) ARIOLA 201 622 Artista(s): Alceu Valença Acervo: Carlão Editado por: Carlão Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Ótimo |
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| Fonte de pesquisa: Instituto Memória Musical BrasileiraFonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo Lado A e Selo Lado B do Long Playing
Crédito: Carlão |
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