Texto Contracapa
Eis um cantor que, felizmente, cantas à velha e autêntica maneira; ele não prende a voz, não canta <p’ra dentro>, não sussurra. É Roberto Silva. Quando do lançamento do primeiro <DESCENDO O MORRO>. Tive a oportunidade de salientar as qualidades marcantes do cantor, sua voz fonogênica, sua naturalidade em dizer os versos muitas vezes ingênuos, mas saborosos, que o sambista faz para matar as sai mágoas, para homenagear a sua amada, para glosar um fato ou caricaturar um fato uma situação. Reunindo alguns dos melhores sambas do passado, em sua maioria da década de 30, o disco Roberto Silva, foi um grande sucesso artístico, em enorme êxito popular. Agora volta o cantor com nova coleção de sambas, todos autênticos, daqueles que têm <teleco-teco>, buliçosos, vivos, transmitindo entusiasmo ao ouvinte com seu ritmo cem por cento brasileiro.
Sabendo escolher realmente muito bem o seu repertório, o novo <<DESCENDO O MORRO>>, o número dois, é um complemento indispensável ao primeiro, sua continuação, feito com o mesmo capricho, com o mesmo esmero do anterior, é uma continuação, pode-se dizer cronológica, um seguimento que traz o intérprete até aos mais modernos sambas, mas aqueles que foram realizados dentro do espírito de autenticidade dos mais antigos. Uma verdadeira antologia, os dois <<long-playings>> do cantor Roberto Silva, apresentados pelos Discos Copacabana.
Como no anterior, encontramos neste verdadeiros <<ases>> da nossa música popular, os sambistas autênticos e inspirados como o saudoso Geraldo Pereira, valor tão prematuramente desaparecido, Wilson Baptista, veterano campeão dos ritmos populares, Cyro de Souza, outro festejado, Waldemar de Abreu, o <<Dunga>>, representado nesta coleção pelo <<Chora Cavaquinho>>, uma das suas obras primas, Lupicínio Rodrigues, o gaúcho com alma carioca sabendo repinicar tão bem uma caixa de fósforos como o habitante da Lapa ou do Salgueiro, Altamiro Carrilho, o instrumentista consagrado e autor dos melhores, Marino Pinto, o que recusou a <<imortalidade>> e muitos outros, todos destacados valores entre os compositores da mais popular das músicas brasileiras, o samba.
Houve tempo em que os cantores de vozeirão eram os intérpretes do samba, cantores evidentemente inspirados nos tenores e nos barítonos do Municipal; cantavam o nosso samba sem nenhuma vivacidade, com pouco ritmo e sem aquela qualidade indefinível que se chama <<bossa>>. Roberto Silva está longe de lembrar tal gente; nele tudo é graça e espontaneidade, tem o sentido do ritmo aguçado, <<sente>> o que canta como o povo gosta de ouvir, com malícia, cariocamente.
Como o primeiro <<DESCENDO O MORRO>>, também neste não foram usados instrumentação escritas – rodeado e apoiado por excelentes instrumentistas, o cantor Roberto Silva, está inteiramente à vontade, cantando o samba com naturalidade, valorizando os números tão bem escolhidos e dando ao ouvinte a oportunidade de verificar como é divertido, como é gostoso o samba verdadeiro, o samba malicioso e cheio de graça, o samba carioca.
Como dissemos, DESCENDO O MORRO>>, nº 2. É um complemento indispensável ao anteriormente lançado, é uma continuação à verdadeira antologia que Roberto Silva vem interpretando através dos discos tão bem cuidado, tão atraentes da Copacabana.
Lucio Rangel
Roberto Silva
Roberto Napoleão Silva
* 9/4/1920 Rio de Janeiro, RJ
Biografia
Cantor. Compositor.
Nascido no morro do Cantagalo em Copacabana. Filho do chapeleiro italiano Gilisberto Napoleão com a carioca Belarmina Adolfo. Aos seis anos de idade o pai mudou-se com a família para o subúrbio de Inhaúma. A mãe o presenteou com uma flauta, que logo foi trocada por um violão. Mas como gostava de cantar, não aprofundou estudos em nenhum dos instrumentos. Freqüentava as festinhas da vizinhança, cantando músicas de Pixinguinha, Benedito Lacerda e principalmente dos cantores da época, como Sílvio Caldas, Orlando Silva, de quem teria muita influência no estilo de cantar e Francisco Alves. Aos 12 anos começou a trabalhar numa marmoraria na Rua do Matoso, depois aprendeu e exerceu outras profissões, como lustrador de móveis e mecânico. Em 1936, foi trabalhar no Departamento de Correios e Telégrafos
[Saiba mais]
Fonte de pesquisa: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Álbum: Descendo O Morro Nº 2
Ano/Gravadora: (1959) Copacabana CLP 11097
Outras Edições: Som/Copacabana SOLP 40205
Artista(s): Roberto Silva
Acervo: Heleno
Editado por: Quelinho
Formato: MP3 – kBit/s: 320 – Áudio: Bom
Obs: Não conseguimos uma recuperação legal do fonograma B01. A Mulher Que Eu Gosto – ficou com um pequeno defeito
Fonogramas Lado A
A01. Aos Pés da Cruz – (Marino Pinto / Zé da Zilda)
A02. Chora Cavaquinho – (Valdemar de Abreu “Dunga”)
A03. Se Acaso Você Chegasse – (Lupicínio Rodrigues / Felisberto Martins)
A04. Bons Tempos – (Floriano Ribeiro / Otávio Lobo / Mário Telaroli)
A05. Você Está Sumindo – (Geraldo Pereira / Jorge de Castro)
A06. Cabelos Brancos – (Herivelto Martins / Marino Pinto)
Fonogramas Lado B
B01. A Mulher Que Eu Gosto – (Wilson Batista / Ciro de Souza)
B02. Passei dos 32 – (Jaime Silva / César Lima)
B03. Normélia – (Raimundo Olavo / Norberto Martins)
B04. Escurinho – (Geraldo Pereira)
B05. Rugas – (Nelson Cavaquinho / Augusto Garcez / Ari Monteiro)
B06. Maria Teresa – (Altamiro Carrilho)
Fonte de pesquisa: Instituto Memória Musical Brasileira
Fonte de pesquisa: Capa, Contracapa, Selo Lado A e Selo Lado B do Long Playing
Crédito: Heleno

Albertinho Fortuna


