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Vários – Bossa Nova (1985)
Resenha do Álbum
O Baú de Long Playing lhe oferece um pouco daquele que foi um dos mais importantes movimentos musicais do Brasil: a bossa nova. Suas primeiras manifestações registraram-se no final dos anos 1940, começo dos 50, no Rio de Janeiro. E com uma turma da pesada: Dick Farney, Os Cariocas, Lúcio Alves, Garotos da Lua, Namorados da Lua, Dóris Monteiro, Nora Ney… Enfim, verdadeiros precursores. E, quando João Gilberto gravou em 78 rpm o clássico “Chega de saudade” (originalmente um choro!), de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em 1958, a bossa explodiu de vez, sendo sucesso até no exterior. É justamente esta a faixa de abertura desta seleção feita pela Polygram (hoje Universal Music) a partir de seus riquíssimos arquivos, magistralmente executada pelo mestre Jobim ao piano. Originalmente, este registro foi lançado em 1963 num álbum que ele fez nos EUA, “The composer of Desafinado plays”. Da parceria dele com Vinícius tem ainda “Brigas, nunca mais”, com a inesquecível Elis Regina (do álbum “Elis & Tom”, gravado também nos EUA, em 1974), a internacionalmente conhecida “Garota de Ipanema”, com os já citados Cariocas (do LP “A bossa dos Cariocas”, de 1963) e “Ela é carioca”, com o pianista Sérgio Mendes e o grupo Bossa Rio (do disco “Você ainda não ouviu nada!”, também de 63). De Tom Jobim sem parceria vêm “Este seu olhar” e “Só em teus braços”, numa única faixa, extraída do álbum “Bossa session”, de 1964, com Lúcio Alves cantando a primeira música e Sylvia Telles a segunda, num “encaixe” inteligentíssimo! (Ainda só de Jobim é a instrumental “Surfboard”, executada pelo conjunto de Roberto Menescal músico e produtor ainda hoje em atividade), em gravação de 1967. Autêntico papa da bossa nova, João Gilberto aqui revive o clássico “Falsa baiana”, de Geraldo Pereira, em gravação que fez no México, e aqui lançada em 1973. De Carlinhos Lyra e do poetinha Vinícius é “Você e eu”, aqui em registro que Nara Leão, a eterna musa da bossa nova, fez em 1971 na França, quando estava exilada naquele país em função das pressões da censura e do regime militar brasileiro, do qual era ferrenha opositora (aliás, ela quase foi presa!). Caetano Veloso revive aqui outro hit da parceria Lyra-Vinícius, “Coisa mais linda”, feito para o álbum “Uns”, de 1983. “Desafinado”, hino da bossa nova composto pela dupla “Newtom” (Newton Mendonça-Tom Jobim) aparece aqui com Gal Costa (originalmente faixa do álbum “Índia”, de 1973). Para encerrar, dois hits da parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli: “O barquinho”, com o Tamba Trio, registro de 1962, e “Você”, inesquecível dueto de Dick Farney com Norma Bengell, também atriz e cineasta, originalmente faixa do álbum “Meia-noite em Copacabana”, de 1964. Que mais se poderia esperar de uma seleção tão cheia de bossa como esta?
Samuel M. Filho
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